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Opinião de Rui Pessoa (Presidente Mototurismo Clube TAP Portugal)
Domingo, 5 de Setembro de 2010
VFR1200F - Opiniões » Opinião de Rui Pessoa (Presidente Mototurismo Clube TAP Portugal)
HONDA VFR1200F

Em primeiro e com base em alguma informação retirada de muito que já li, faço uma pequena apresentação da nova Honda VFR1200F

Apresentação:

Finalmente a Honda apresentou a versão final da sua nova turística VFR1200F, modelo que conta com uma vida de já 23 anos, e que promete mais uma vez ficar na história.

Segundo o piloto de testes da Honda dos últimos 20 anos, Dave Hancock, que teve também uma participação importante no desenvolvimento de outros ícones como a Super Blackbird, Fireblade ea CBR600RR, refere que a nova VFR é tão boa que irá transformar o mundo das duas rodas para a próxima década. Acredita que esta moto irá abanar a concorrência da mesma forma que a 900RR Fireblade o fez quando foi lançada em 1992.

No entender da Honda, esta moto tem um design sublime e combina de forma perfeita as capacidades desportivas e turísticas, definindo-a como a precursora de uma nova categoria, a "Road Sport" . A característica básica desta nova moto é uma essência desportiva, mas adequada para viagens de longa distância, com o seu novo V4 agora com uma abertura entre cilindros de 76º contra os anteriores 90º na procura de um maior equilíbrio e assim dispensar pesados sistemas de contra-pesos.

O cárter descendente da RC212V de MotoGP é estanque para redução de perdas de pressão, a árvore de cames tipo Unicam é herdeira da CRF de motocross, que acciona duas válvulas de forma directa e as outras duas através de balanceiro

Agora com 1237cc de capacidade o motor debita uma potência de 173cv às 10.000rpm e um binário de 129Nm às 8750rpm, 80% desde logo disponível às 3.000rpm, proporcionando uma resposta sempre linear e vigorosa.

A aerodinâmica foi pensada para garantir a entrada de ar fresco à admissão e afastar o ar quente extraído da refrigeração para longe das pernas do condutor, máxima estabilidade a alta velocidade e absoluto conforto para ambos os ocupantes, com o banco de dois níveis com perfis e esponjas desenvolvidas para longas viagens.

Em termos de segurança a sólida forqueta invertida Showa HMAS é acompanhada por sistema Unilink na traseira, o sistema de travagem da Nissin conta com dois discos de 320mm e pinças de seis pistões na frente e disco de 276mm com pinça de dois pistões na traseira com o sistema combinado de CBS e ABS de série.

A isto juntamos o acelerador electrónico, a transmissão por eixo rígido, o monobraço oscilante alongado para maior estabilidade e tracção e o painel com instrumentação ultra completa… Ficando a faltar mesmo a versão com caixa automática desportiva de dupla embraiagem de seis velocidades, com três tipos de utilização, Drive, Sport e manual, para termos a moto Sport Touring mais completa do planeta.

Finalmente o Test-Drive por mim efectuado:

Este fim de semana e a convite do Mendes Pinto (MotorWay), foi me cedida pelo fim de semana completo a VFR1200F para experimentar e fazer algumas deliberações sobre a mesma.

Aproveitei o passeio à Batalha (Expo-Moto 2010) que já tinha combinado com o Mototurismo TAP e com o GAPE (Grupo de Amigos da Pan European) e acabei por efectuar 367Kms em todo o tipo de circuitos, desde o urbano, estradas nacionais e serra em passeio (caravana com mais de 40 motos), auto-estrada, de dia e de noite e ainda à chuva.

Estamos perante uma máquina soberba, com vocação Sport-Touring.
Ao arrancar da MotorWay verifico que não se trata de uma máquina peso pluma denotando algum peso no conjunto, mas nada de registo negativo, característica típica de uma Sport-Turistica.

As acelerações momentâneas que efectuo à maquina, para poder de certa forma apreender as potencialidades e reacções da mesma, mostram que esta moto pode ser conduzida por qualquer um de nós, independentemente da experiência que tenhamos, sentindo que tenho debaixo de mim um canhão domesticado, aliás já muito típico de uma máquina Honda.

Pude experimentar esta moto com uma pendura muito experiente, a Carla (minha esposa e grande companheira de aventuras e desventuras mototuristicas), e o feedback revela que é uma moto também muito confortável para o pendura, onde o banco a dois níveis não revela qualquer tipo de desconforto, apenas exigindo à pendura um maior esforça em se agarrar à moto (comparativamente ao que a Carla está habituada que é andar numa Maxi-Trail ou em Turísticas Puras).
Para o condutor, a condução com pendura pouco ou nada se sente, tirando sentirmos a pessoa que transportamos mais em cima de nós, mas característica de uma moto destas, uma Sport-turismo.
Nestes Kms que efectuei, a moto revelou-se muito confortável tanto de posição de condução como também da própria condução em si, onde quantos mais kms fazemos mais prazer vamos tirando desta máquina, onde as pernas não vão demasiado dobradas ao contrário das RR’s ou de outras Sport-Touring que existem no mercado.

No que diz respeito à protecção aerodinâmica, esta moto estava equipada com o vidro de origem revelou-se com bastante protecção. Mas tive também neste fim-de-semana a oportunidade de conduzir outra VFR que também estava em test-drive com um amigo e que estava equipada com o Spoiler no vidro frontal, demonstrando que este vidro suplementar faz toda a diferença principalmente quando conduzimos a velocidades acima dos 150Km/h, onde quase que não nos apercebemos do impacto do vento.

Os comandos são acessíveis, apenas exigindo alguma habituação (principalmente relativamente à posição do switch dos piscas).

Esta moto tem uma entrega de potência muito linear, e com um binário fantástico logo nas rotações iniciais, não nos obrigando a troca constante de caixa, bem pelo contrário.

Revelou também e à medida que as curvas em nacionais e serra era feitas ser um autêntico mimo, super estável, sem reacções bruscas e de uma suavidade extrema, parecendo que vai a curvar sobre carris e onde o motor só se torna verdadeiramente explosivo a partir das 4.000rpm.

Em estrada aberta (Auto-Estrada) esta moto demonstrou levar-nos com muita facilidade a ultrapassar a barreira dos 230Kms/h, conseguindo chegar à casa dos 267Kms/h. Verificando-se que será esta a velocidade limite da mesma, pois apartir daqui já se demonstra alguma dificuldade em ultrapassar estes valores, mas onde a estabilidade é simplesmente impressionante, fazendo-me pensar que conseguiria se fosse necessário manter esta velocidade durante muitos kms.

Num ritmo mais calmo, testei esta nova VFR no que diz respeito a recuperações, e o que encontro é uma máquina fabulosa, que com muita facilidade, suavidade e sem hesitação em 6ª velocidade e a 80Kms/h sobe que nem um tiro para velocidades temerárias.

A travagem é fabulosa, não existindo palavras para qualificar, muito potente e a demonstrar um agradável tacto e eficácia fora do normal, não exigindo ao condutor uma aplicação extrema aquando de condução mais viva, mas mesmo quando efectuamos uma travagem mais dura a moto não revela qualquer tipo de oscilação parecendo que estamos a ser puxados para trás.

A caixa, revelou-se algo ruidosa e dura quando trocamos de mudanças principalmente nas seguintes relações: Engrenagem da 1º velocidade, troca de 1ª para 2º, 2ª para 3ª e nas reduções de 3ª para 2ª e de 2ª para 1ª.

O veio de transmissão revelou também alguma folga (poço), principalmente em condução urbana (parar-arrancar ou a velocidades muito baixas).

Ao contrário, a embraiagem deslizante demonstrou ser outra pequena maravilha nesta moto, onde podemos baixar de caixa com alma, porque não nos vai criar nenhuma reacção de sobressalto, bem pelo contrário, entregando a travagem do motor com muita suavidade.

Apesar de a instrumentação ser bastante legível e de muita agradável leitura, mesmo para uma pessoa como eu que já precisa de óculos para ver, e já contemplar indicação da relação de caixa, existe uma falha crassa que é ausência de computador de bordo (consumos médios; consumos instantâneos; autonomia)
O escape, apesar de o achar grande de mais e de estar demasiado exposto (sem nenhuma protecção a nível de quedas), proporciona-nos com uma variedade de sonoridades (mais rouca a baixos regimes e gritante a altos regimes) devido à utilização de válvula de escape. Mas a nível geral, demonstrou ser muito silenciosa.

Os pneus Dunlop Sportmax Roadsmart com as seguintes dimensões 120/70 ZR17 (frente) e 190/55 ZR 17 (atrás – medida pouco usual) demonstraram ser espectaculares, a revelarem ter um grip fabuloso mesmo em situações mais extremas e também com piso molhado (chuva intensa), e bastante confortáveis.

A iluminação (condução nocturna) é muito boa, onde o feixe de luz transmitido é completamente transversal à estrada e onde a iluminação que temos é a mesma desde a berma ao centro da estrada, parece que vamos a varrer a estrada com a luz emitida.

Os consumos, e tendo em conta que se tratou de quase 400 kms em teste, não podemos dizer que estamos perante uma moto gulosa, registando um consumo médio na ordem dos 6,8L/100Kms, o que se traduz tendo em conta que a capacidade de deposito de 18,5 litros (reserva incluida) numa autonomia entre os 200 a 300Kms, que acho muito bom.

Design, Estou a gostar cada vez mais do desenho desta nova máquina, onde a inspiração do motor em V se encontra em quase toda a moto, apenas continuando a achar que vista de lado nos faz lembrar alguns modelos de outra marca concorrente, e é aqui que reside o aspecto mais controverso desta moto, e depois de ter já ouvida as várias opiniões transmitidas sobre este assunto, posso apelidá-la de a bela e o monstro, onde revela uma frente muito bem conseguida, bonita e agradável, mas uma traseira que parece não haver uma opinião muito positava referente à mesma.

Pontuação atribuida tendo em conta tratar-se de uma Sport-Turing(1 a 5)

- Conforto geral (5)
-Posição de condução (5)
-Protecção aerodinamica (4)
-Conforto para pendura (4)
-Comandos (3)
-Iluminação (4)
-Instrumentação (4)
- Motor (5)
-Caixa de Velocidades (3)
-Tranmissão (4)
-Travões (5)
-Ciclistica (5)
-Travões (5)

Conclusão Final:
Efectivamente existem correcções que deviam ser efectuadas, tanto a nivel técnico e de equipamento, como estético, mas sem duvida estamos perante uma moto espectacular, onde finalmente a Honda volta a pôr a concorrência a correr atrás do prejuizo, e espero que não levem muito mais tempo para substituirem tanto a Varadero como a Pan STX 1300.

Proponho a todos que gostam de motos, e principalmente da Honda que façam um test-Drive a esta máquina, pois com certeza não ficaram nada desapontados.

Os meus especiais agradecimentos ao Mendes Pinto e à MotorWay, por ter me proporcionado um excelente e conclusivo test-drive a esta pequena maravilha que demonstrou ser a nova VFR1200F.

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